Às vezes me pergunto “de que vale a inteligência se não soubermos usá-la?”. Palavras bonitas, reflexões exaustivas, pensamentos rebuscados; tudo acaba vazio se não há um propósito prático. Escolhas errôneas nos levam por caminhos que nunca havíamos imaginado, mas como tudo na vida, existem duas possibilidades: o novo pode nos trazer bons frutos, pois não necessariamente ele deve nos ser prejudicial; por outro lado, não é descartável a hipótese de que, sim, pode dar tudo errado (outra vez).
Nossa sociedade, baseada na pressa e na perfeição, nos cobra decisões sábias no menor tempo possível. Aos dezessete anos, devemos saber convictamente qual profissão pretendemos seguir durante toda a vida; ao concluir a faculdade, devemos arrumar um excelente emprego; por volta dos 25 anos, casar; por volta dos 28, ter filhos. Convictamente – toda a vida – excelente emprego – casar – filhos. Em momento algum, as palavras acima destacadas são submetidas à dúvida generosa daqueles que nos rodeiam. Então, aqui estou, prestes a completar 26 anos, uma faculdade trancada, uma outra pendente na monografia, com um emprego que não me enche os olhos, sem perspectivas; porém, cheia de esperança (e mais dúvidas!). 90% do tempo, não tenho certeza do que quero; nos 10% restantes, me vejo como uma titica. Fracasso em minhas tentativas mesmo tenho vencido cada passo delas. Isso é possível? Sim, mas não significa que seja justo!
Do outro lado da rua, do computador, da vida enfim, existem aqueles que se percebem “um máximo” e nada é capaz de convencê-los do contrário. Bom! Mas e se não forem tanto quanto acreditam ser? Quem se importa, eles não! Talvez estejam certos em exalar tamanha autoconfiança, assim nada pode tirá-los de órbita e encher suas cabeças de questionamentos que geralmente não levam a lugar algum.
Ser “o inteligente”, “o sábio” do grupo somente funciona em mesas de bar, quando os assuntos esbarram em política, cinema, música, filosofia e tantas outras coisas desvalorizadas por aqui. O Máximo não precisa disso, em sua roda de amigos é assim que ele é percebido, no trabalho também – e sua mãe deve sentir-se extremamente orgulhosa pelo filho que tem! É provável que o Máximo, ao contrário de mim, não divague sobre temas tão irrelevantes; afinal a vida dele caminha bem, do jeitinho que ele nem planejou.
Qual o tamanho da sua inteligência? Pergunta sem sentido e, quem sabe, sem resposta. Reiterando a primeira linha desse texto, não importa o tamanho dela e sim como você escolhe aplicá-la. Porque nem sempre ela será valorizada, quiçá necessária.
Vc escreve muito bem!
ResponderExcluirtenho inveja branca disso!
Queria saber construir textos bons assim!
Por isso que te amo! ( viu, estou valorizando sua inteligencia e seu amor!)
Mas como falamos antes. Acho que realmente ignorância. Ou falta de pensar...
Apenas ter certeza daquilo que se é tem grandes atrativos...
Acho sim que e mais fácil desse jeito!
Mas a gente fica sempre pensando, e pensando...
E pior... nem sempre somos tao inteligentes como pensamos. ou gostaríamos de ser, pra justificar nossa mania de pensar ou nossas grandes duvidas...
"(...) quiçá necessária."
ResponderExcluirPara mim, este é o ponto alto do texto. A inteligência é, de fato, a ilusão de superioridade do homem, em relação aos outros animais. Não podemos superestimá-la; ela é algo que, assim como a maioria das coisas na vida, não traz nenhuma garantia de plenitude.
Melhor que ser inteligente é ter a capacidade de aproveitamento até mesmo das coisas ruins que nos acontecem. Tirar a força da fraqueza, filtrar a vida. Quem é dotado de tal sabedoria, tem o mundo diante de si. Em todo o seu valor verdadeiro.
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